Foi em 65 quando as coisas
começaram a mudar. Erasmo Carlos chegou com a Jovem Guarda, e a partir daquele
momento, a música brasileira se transformou. Tudo continha música. Desde um
simples comercial, até grandes filmes. E há quem diga que nossa comunicação se
deve a essas melodias que nos acompanham todos os dias. Com o Rock hospedado de
vez em nosso país, a indústria usou a influência que a música possuía na vida
das pessoas, e passou a tornar mais real cada aspecto que automaticamente
relacionamos a ela hoje, como por exemplo, os diversos estilos que o rock
proporcionava: grunge, punk, metal, e por aí vai.
Além dos estilos, a forma de
falar se modificou, dando espaço para as gírias. A forma de agir tornou-se mais
rebelde, e podemos dizer, mais ousada. A parte difícil começou a partir de 68,
quando a censura causada pela Ditadura se fez mais forte, estando presente em
cada meio de comunicação possível, desde filmes e jornais até estacionar de vez
na música. Vários músicos foram presos ou obrigados a irem para outro país.
Muitos fugiram. A liberdade de expressão era tão escassa que ninguém tinha voz,
e aqueles que tanto lutavam para mudar essas regras, eram castigados de alguma
forma.
Mas foi na época do clima de tristeza que o país havia acabado de passar que surgiram
grandes nomes da música. Eles usaram todo seu descontentamento com as regras
que haviam sido estabelecidas anos atrás e usaram seus dons de comunicação para
desabafar diante dos problemas que o país ainda vivia: desde o surgimento da
AIDS, até as diversas manifestações que ocorriam no Brasil. Foi quando Cazuza e
Renato Russo, nos anos 80 e 90 respectivamente, abriram portas para diversos
outros artistas, dando a eles a liberdade de fazer o que um verdadeiro roqueiro
faz: mostrar sua opinião, seja para quem for.
O jovem foi tendo cada vez
mais o seu espaço diante da mídia, até porque ela usava a imagem da juventude
junto com a da música, para atrair mais pessoas, e consequentemente no nosso
caso, passando a cultura do Rock de geração para geração. O Rock brasileiro
tendo em seu histórico desde músicas que falavam de bicicletas, até as mais
intensas relacionadas a sentimentos, engloba a muito tempo aqueles que se
identificavam com ele e que possuíam um “quê” de rebeldia e transformação. Ele
foi a trilha sonora das maiores manifestações ocorrentes no país, e o respeito
por ele foi tornando-se cada vez maior.
Chegando ao século XXI, a
indústria passou a dar um espaço maior a outras culturas musicais, obrigando o
Rock a se reinventar e a se modificar totalmente, misturando diversos outros
estilos e dando mais espaço para o sentimento em suas letras. Já passamos pela piores pedras no caminho, quando proibiram a música de ser livre, hoje apenas temos as riquezas que grandes artistas deixaram, e as novas que continuarão marcando mais um século.
Pois é, a vida não é filme e temos o direito de tomar as rédias dela, com o Rock no ouvido e sempre lutando pelo que é certo. E ele permanece desde os anos 60, com a mídia querendo interferir ou não, ele sempre será a maior forma de comunicação e evolução pela qual o país já passou.
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