O que nos perguntamos é: qual
seria o papel do Rock? É apenas um estilo musical? Na verdade, é uma melodia
capaz de expressar qualquer sentimento, seja ele bom ou ruim. De uma forma
talvez mais pesada, mais melancólica e mais densa, o sentimento é o principal
elemento do estilo musical que não difere identidade de gênero, sexual,
profissional ou social. Você pode ser homem, mulher, homossexual,
heterossexual, transexual, pedreiro, médico, faxineiro, porteiro, engenheiro,
arquiteto, jornalista, recepcionista, pobre ou rico, nada disso importa porque
a música será totalmente igual pra você e pra mim. Com o início do Rock, lá na
década de 60, as pessoas o utilizavam para expressar-se, surgindo então uma
bola de neve em que as letras daquelas melodias sentimentais influenciaram uma geração,
que influenciou outra e assim por diante. Essa forma de “mostrar seus pontos de
vista” acontece a cada minuto e a cada nota tocada, porém, na época em que os roqueiros
ainda usavam boca de sino, tudo tinha uma percepção muito maior. Quando algo é
diferente e não sabemos bem como lidar com isso, acabamos julgando sem nem ao
mesmo conhecer, e às vezes não seria necessariamente um julgamento, mas sim,
uma forma de entender o porquê aquilo ou alguém é diferente. Dessa forma, as
pessoas podiam observar de longe aquele “cabeludo, magrelo, com boca de sino”, que
logo assemelhavam: “aquele roqueiro”. Fomos mudando com o passar dos anos, e as
formas de se vestir passaram a ser mais “pesadas” com cores mais escuras,
jaquetas de couro, camisetas que levava os nomes das bandas preferidas dos
roqueiros, jeans rasgados, etc.
A época foi mudando, a sociedade
foi mudando, e foi tornando cada vez mais perceptível a subjetividade de cada
um dentro do Rock. E essa é a essência do estilo, não é? Te ajudar a “se
encontrar” e a “se conhecer” melhor. A encontrar nas vozes junto com aquelas melodias,
o que realmente te dá uma força para demonstrar suas idéias e pontos de vista.
Quer um exemplo dessa força? Quando chegou a difícil época da ditadura, a
liberdade de expressão foi ferida, porém, o
rock manteve sua marca de demonstrar em suas
letras qualquer que fosse o sentimento, e nesse caso, refletiu a revolta dos
jovens. Essa marca permanece viva até hoje. Desde contestar o país em que
vivemos, até exigir uma mudança, o Rock se tornou um símbolo de personalidade,
rebeldia e força de vontade. Os jovens se apegaram a isso para
manter sua opinião sem medo nenhum, e isso fez com que o estilo musical fosse o
mais popular de todos, nos anos 80 e 90.
Hoje, no século 21, o país teve uma mistura ainda maior de culturas, e o Rock acabou se popularizando e abrangendo muitas pessoas, que mesmo sendo completamente opostas, não mudaram seu estilo como era evidente antigamente. Por ter se popularizado, ele expandiu-se e hoje podemos dizer que não existe somente um Rock, mas sim, vários. Com tantos estilos musicais hoje, nos perguntamos: “será que aquela criança que passou a infância toda ouvindo Rock com os pais, quando crescer se assemelhará a isso? Também ouvirá o gênero e passará para seus filhos, ou seja, a próxima geração?” Existem casos que isso realmente acontece, porém existem também aqueles que quando o filho cresce, ele opta por outro estilo de música, apenas explicando a cultura alternativa no nosso país, e o Rock assim como ela, tem suas miscigenações. Indo do mais clichê ao mais “colorido”, do mais pesado ao mais leve, do mais MPB ao mais samba, do mais pop ao mais melancólico, as pessoas usaram sua subjetividade e personalidade para determinar aquele que mais gosta. A partir do seu estilo de Rock preferido, transformaram seus valores, sua linguagem, e sua forma de se expressar na sociedade, englobando então aqueles roqueiros que usam calças coloridas, aqueles que usam roupas mais leves à lá Renato Russo, aqueles que usam roupas pretas e mais pesadas, e aqueles que simplesmente usam roupas consideradas “normais”. Os estilos dentro do Rock n’ Roll podem ter mudado, mas será que ele ainda tem a mesma essência de antigamente? A questão é que o Rock dos anos 70, 80 e 90 rebelou os jovens, que antes viviam em uma sociedade totalmente contra qualquer tipo de diferença. Eles, indignados com a situação, encontraram no gênero musical a saída para a revolução, dando assim um novo passo à liberdade de expressão. O Rock daquela época falava muito de política e capitalismo e talvez por isso, hoje não o enxergamos tanto como um símbolo de revolução. Nessa crise que o país está passando nos dias de hoje, qualquer um teria afinidade com “Que país é esse?” da Legião Urbana, por exemplo, ou então “O tempo não para” do Cazuza, e diversas outras que conhecemos e que abriam nossos olhos para os problemas. Hoje, o Rock já não tem mais essa cara de “revolução”. Suas letras mudaram, junto com o estilo dos jovens contemporâneos, e partiram para um lado completamente sentimental, esse que já existia antes, porém, hoje com mais muito mais ênfase. No final de tudo, os jovens mudaram seu foco, juntamente com o Rock, e o que difere é a essência. Sim, ela continua a mesma. Continua causando o mesmo impacto assim como fazia anos atrás, continua com toda a sua força em manter o sentimento em primeiro lugar, mesmo que hoje seja mais amor do que antigamente. É isso que faz o Rock ainda permanecer vivo hoje em dia, isso que faz os jovens ainda segui-lo: a essência do sentimento e descrever de alguma maneira, seja mais leve, seja mais densa, tudo o que você e eu sentimos. E ele não acabará exatamente pelo motivo de sempre se revolucionar, junto com aqueles que o ouvem.
O comprometimento com o Rock está
evidente naqueles que não desistem dele, que acreditam que apesar de tudo, ele
ainda está de pé. Mas quem disse que também não existe naqueles que fielmente
continuam seguindo apenas suas “bandas de travesseiro”? Tudo é uma questão de
subjetividade. Cada um com seu gosto, mas com um foco em comum: o Rock!
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| Estilos dos anos 60, 70, 80, 90 e 2000, respectivamente. |

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